A votação do relatório da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) nº 221/2019, que pode pôr fim à escala 6x1 começou às 10h30 desta quarta-feira (27), na comissão especial da Câmara dos Deputados que trata do tema. Além da concessão de duas folgas semanais aos trabalhadores, o texto prevê a redução do tempo máximo de expediente, de 44 horas para 40 h semanais.
O relatório da PEC foi apresentado na segunda-feira (25), após um acordo entre os presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Se a proposta for aprovada, o trecho que trata dos dois dias de descanso semanais passará a valer dois meses após a publicação da norma.
Após a votação do relatório na comissão, o documento terá de passar pelo Plenário da Câmara dos Deputados, antes de seguir para a CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania) do Senado Federal e também para o Plenário da Casa.
Se isso ocorrer, Hugo Motta deve articular com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), uma previsão para que o tema entre na pauta.
A diminuição da jornada deve ocorrer de forma gradativa: inicialmente, com a redução para 42 horas no expediente semanal, também dois meses após a publicação da emenda constitucional; depois, até o fim de 2027, esse tempo máximo precisará cair para 40 horas.
Em meio às expectativas em torno da aprovação da PEC, Hugo Motta lembrou nessa terça-feira (26) que o texto do relatório ainda pode ser alterado na comissão especial, mas deve ser enviada diretamente ao plenário em seguida. Para ser aprovado na Câmara, serão necessários 308 votos favoráveis.
Na mesma data, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-AL), líder do Partido Liberal na Casa, afirmou que a sigla vai apoiar a adoção da escala 4x3. Essa proposta, apensada à PEC nº 221/2019 e apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), prevê três folgas e 36 horas de expediente semanais.
Contudo, internamente, a declaração de Sóstenes acabou vista como uma tentativa de atrasar e tumultuar a apreciação da matéria na Câmara, bem como de constranger o governo federal. Isso porque Lula e Motta fecharam um acordo sobre o texto do relatório no início desta semana, e o governo teria de dar preferência à versão do relatório combinada com o presidente da Câmara.
O que pode mudar com aprovação da PEC
A duração da jornada de trabalho não poderá ser superior a oito horas diárias, e a semanal diminuirá de 44 horas para 40 h semanais, sem redução de salários nem de pisos da remuneração;
O trabalhador terá direito a, no mínimo, dois dias de descanso semanal remunerado, e um deles deverá ser, preferencialmente, no domingo;
Uma nova lei vai definir as regras e as profissões que poderão ter horários de trabalho e folgas diferentes do padrão, desde que respeitados os limites máximos estabelecidos pela emenda constitucional.
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